“Queria te ligar agora. Queria assim, de surpresa, sem espera, queria que você ouvisse que seja minha respiração. Porque sim, eu não conseguiria falar palavra alguma, ou gaguejaria, diria meias palavras que se diferiam do que eu deveria dizer de fato. Quando você dissesse o seu “alô”, com aquela voz apressada, entrando pelo meu corpo e passando pelo meu coração, fazendo tal começar a descompassadamente a bombar e assim, trancar minhas cordas vocais, como também todas minhas reações. Queria ficar horas ouvindo sua voz, assim ficaria por mais horas e horas pensando como tudo em você é perfeito, e se não for, pode chegar bem perto de ser. De tanto falar, ficaríamos sem assunto, o silêncio tomaria forma, mas essa forma não me assombraria. Esse silêncio seria saudável, repleto de ansiedade de escutar e vergonha de pronunciar. A quebra desse silêncio seria logo feita, pois há tanto para se falar, tanto à escutar, tanto à querer, tanto à sentir. Queria só ouvir mais um “eu te amo”, como aquele saído do nada, pelo muito que sentira em pouco tempo a ser sentido. Queria você, sua voz aqui, mas tudo está tão longe. Você? Mal sei de você agora. O silêncio agora machuca, pois a espera é contínua, sombria, ruim, mortal. Seu silêncio mata, suas palavras me revivem. Queria te ligar agora, mas atendido não seria, em silêncio sofreria, e pior, o meu amor aumentaria! Então, pensando fico sentindo, escrevendo e morrendo por isso, quem sabe um dia serei respondido e assim, preencher em mensagens minha cota ilusões de vontades. Queria te ligar, mas e você? Queria me atender?”
— Só mais um telefonema (Notasdeumtolo)
“Com lápis e caderno na mão eu me desfaço, já não sou mais eu, me perco em pensamentos e sentimentos que nem minha própria mente e capaz de compreender, apenas o lápis me compreende, transmitindo fielmente meus quereres para a folha, pois essa é minha válvula de escape para tudo, só assim que me liberto desta prisão sufocante que é a vida. As vezes sinto-me como se eu fosse um pássaro preso em uma gaiola, mas que nem por isso deixa de cantar e mostrar como é bela sua voz, outras vezes sinto-me um pássaro que voa livre sem destino, nem tino. Escrever é algo constante, escrevo quando a felicidade em mim habita, ou quando a tristeza me abate, quando os sorrisos são evidentes em meu rosto, ou quando a saudade meu peito invade. Quando eu escrevo, eu sinto que posso dominar o mundo, sinto que posso viver melhor e respirar um ar puro sentindo apenas a leveza das palavras. Posso ser morte, ou vida, posso ser sóbrio, ou louco, posso ser tudo e mais um pouco, posso ser você, ou o mundo, basta apenas escrever para ludibriar minha mente, e tornar-me dono dos meus quereres.”
“A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.”
“Volta e meia, crônicas, romances e poemas terminam com a indefectível frase: “Saudades de mim”. Será que eu já escrevi isso alguma vez, que sinto saudades de mim? Devo ter cometido, eu também, esta dramatização barata, somos todos reincidentes nos clichês. Mas, olha, sinceramente, não sinto, não.
Lembro de uma menina que se sentia uma estranha na sala de aula. Que adorava tomar lanche nas Lojas Americanas do centro da cidade. Que ficava esperando ser tirada pra dançar nas reuniões dançantes, e quando acontecia, que êxtase! Na vez em que foi tirada pelo garoto de quem ela era a fim (e ele a apertou mais do que os bons modos permitiam), os pais da menina chegaram justo naquela hora para buscá-la, sua primeira grande frustração. Lembro do primeiro beijo da menina, ela completamente nervosa. Lembro da menina já grande, em seu primeiro estágio, iniciando vida profissional. Lembro da menina agindo como adulta, indo morar fora do país. Lembro da menina voltando, sem resquícios da menina que havia sido. Saudades dela? Afeto por ela. Saudades eu tenho de nada.
Não voltaria um único dia na minha vida, e lembranças boas é o que não me faltam. Não voltaria à infância - mesmo nunca mais tendo sentido tanto orgulho de mim quanto senti no dia em que ganhei minha primeira bicicleta sem rodinhas auxiliares, aos 6 anos, e saí pedalando sem ajuda, já no primeiro minuto, sem quedas no currículo. Não voltaria à adolescência, quando fiz minhas primeiras viagens sozinha com as amigas e aprendi um pouquinho mais sobre quem eu era - e sobre quem eu não era. Não voltaria ao dia em que minhas filhas nasceram, que foram os dias mais felizes da minha vida, de uma felicidade inédita porque dali por diante haveria alguma mutilação na liberdade que eu tanto prezava - mas, por outro lado, experimentaria um amor que eu nem sonhava que podia ser tão intenso. Não voltaria ao dia de ontem - e ontem eu era mais jovem do que hoje, ontem eu era mais romântica do que hoje, ontem eu nem tinha pensado em escrever esta crônica, ontem faz mil anos. Não tenho saudades de mim com menos celulite, não tenho saudades de mim mais sonhadora. Não voltaria no tempo para consertar meus erros, não voltaria para a inocência que eu tinha - e tenho ainda. Terei saudades da ingenuidade que nunca perdi? Não tenho saudades nem de um minuto atrás. Tudo o que eu fui prossegue em mim.”
“Amo. Reamo.
Tremo sem entender
Remo sem saber
Pra onde vão esses sorrisos
Que derramo ao te ver.”
“Última carta:
Querida Holly, Eu não tenho muito tempo, não digo literalmente é que você foi comprar sorvete e vai voltar logo! Mas tenho a impressão de que é a última carta porque só resta uma coisa pra dizer, não é para se lembrar sempre de mim ou comprar um abajur, você pode se cuidar sem a minha ajuda, é para dizer como você mexeu comigo, como você me ajudou me amando, você fez de mim um homen, Holly, e por isso eu sou eternamente grato, literalmente. Se pode me prometer alguma coisa, prometa que sempre que se sentir triste ou insegura ou perder completamente a fé vai tentar olhar para si mesma com meus olhos. Obrigado pela honra de ter você como esposa, eu não tenho o que lamentar, tive muita sorte. Você foi a minha vida Holly, mas eu sou apenas um capítulo da sua, haverá mais eu prometo portanto aqui vai o meu grande conselho: não tenha medo de se apaixonar de novo, fique atenta àquele sinal de que não haverá mais nada igual.”
“Acontece que, cansa ficar guardando a dor no bolso e fazer o papel de forte o tempo todo. Tem horas que, o que eu mais preciso é: um abraço e nenhum julgamento. Um ombro onde as minhas lágrimas tenham liberdade de cair sem que nenhuma pergunta apareça.”
“Não tem coisa melhor do que ter alguém pra te cuidar, pra te beijar, pra te abraçar, pra te amar. Alguém que torna seus dias mais felizes e suas noites mais tranquilas. Alguém que te anima nas horas tristes e sabe o seu valor. Alguém que não é perfeito, mas é do jeito que você sempre sonhou. Alguém que sabe de cór todos os seus gostos e manias, alguém que faça você sorrir que nem boba e sonhar feito uma criança. Alguém que te de bons momentos, boas risadas.. Alguém que te satisfaz, alguém que te ilumine. Alguém que você ama e é feliz por isso.”